Democracia Norteamericana: O Poder Oligopolizado dos Massmedia

09/11/2010

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No final das eleições de meio-de-mandato nos EUA, o maior vencedor ainda não foi declarado: os meios de comunicação de massa. O maior perdedor, entretanto, é a democracia. Estas eleições foram as mais caras na história dos EUA, custando cerca de quatro bilhões de dólares, dos quais três bilhões foram gastos em publicidade. Eu me pergunto porque o tempo de publicidade para campanhas não são gratuitos. Não se ouviu as discussões sobre o assunto porque as corporações que controlam a mídia de massa  obtém enormes lucros das campanhas de publicidade. No entanto, as ondas de rádio, usadas pela mídia para transmitir seus sinais, são públicos.

Isso me faz lembrar de um livro escrito em 1999 pelo especialista em mídia Robert McChesney: "Rich Media, Poor Democracy". Em seu livro, McChesney escreve: "A imprensa tem pouco incentivo para fornecer cobertura para os candidatos, pois é de seu interesse forçá-los a fazer propaganda de suas campanhas."

Evan Tracey, presidente do Media Analysis Group, previu em julho passado que "não haverá mais dinheiro para comprar espaço aéreo." 

No passado, houve tentativas de regulamentar a utilização da mídia para atender às necessidades das pessoas durante as eleições. Nos últimos anos, a tentativa mais ambiciosa era conhecida como "Reforma do financiamento das campanhas eleitorais de McCain-Feingold." Durante o debate sobre esta legislação histórica, tanto democratas como republicanos fizeram referência ao problema das taxas exorbitantes da publicidade televisiva. 

"As eleições se tornaram um produto comercial, um centro de lucro para essas rádios e televisão", disse Ralph Nader, no dia da eleição. Ele disse ainda: "As ondas de rádio públicas, como sabemos, pertencem ao povo. O povo é o titular das licenças de concessão de rádio e televisão".