Eleições 2010: Neologismo de Conveniência

28/10/2010


Eleição é o campeonato das aparências. Para o mal da gastrite dos ouvintes, ouve-se os debates e a falta de idéias que representam os discursos predominantes. De modo geral, a argumentação final em tempos de segundo-turno é a mesma: cada qual se entitula o epicentro da perfeição política, e confere ao outro o título de imoral oportunista. Os "debates" nos estúdios de TV tendem a concentrar-se em um show de horrores: ofende-se e acusa-se reciprocamente de todo tipo de qualidades indignas, e a única certeza que tem o telespectador é que esse intercâmbio de agressividade entre os candidatos vem a reafirmar o seu asco perante a política nacional.

Mas alguma coisa, pelo menos, é certa: os níveis elevados de pobreza ainda incomodarão os dados estatísticos do IBGE, o latifúndio ainda se chamará agro-negócio, e a destruição do meio-ambiente continuará sendo "desenvolvimento sustentável".  Neste neologismo de conveniência, ainda há quem acredite que o "pluralismo político" se mede pelo número de partidos, que privatização é "acumulação de divisas internacionais", que o superávit primário é a principal finalidade do Estado, e o que o fato de os bancos terem lucrado $170 bilhões nesses 8 anos de governo Lula é uma evidência de "desenvolvimento econômico".

Quando morre um ex-presidente neo-liberal de um país vizinho, Lula decreta luto nacional. Quando vários pobres morrem nas telas do cinema pelos fuzis do BOPE, há aplausos e gritos de alegria. 

Enfim, para uma crítica bem humorada do pluralismo político: