Vem, vamos embora, que esperar não é saber

16/01/2010


É notável o modo como os meios de comunicação de massa, ao tratar do recente terremoto no Haiti, tendem a tematizar preferencialmente os aspectos sentimentais e trágicos em detrimento de uma análise histórica crítica. Em especial, desconsideram duas causas fundamentais do presente caos: os condicionantes político-econômicos herdados do período colonial e as contumazes condições de extrema miséria.

Dominado pelos espanhóis em 1605, o território do Haiti agregou-se à economia mundial em 1697 ao submeter-se aos franceses, os quais se ocuparam de explorar a cultura do açúcar. De tal forma que, numa terra onde, até então, prevalecia o policultivo de subsistência de culturas ancestrais, foi implantado subitamente a monocultura da cana-de-açúcar e a importação massiva de mão-de-obra escrava de origem africana. Conseqüentemente, no século XVIII, o Haiti tornou-se a colônia mais rica do continente e forneceu a riqueza que financiou a opulência da construção de Paris. Em 1791, entretanto, iniciou-se a revolução haitiana, que originaria a independência em 1804. Neste período, uma guerra umedeceria o país com sangue e devastaria as plantações. A França, por outro lado, só reconheceria a independência em 1825 em troca de uma gigantesca indenização, em analogia ao que já havia ocorrido com o Brasil em 1822.