A Miséria da Arquitetura

03/11/2009


Um dado impressionante: no Brasil cerca de 95% das edificações não contaram com um arquiteto nas suas etapas de projeto ou construção. O resultado é que a qualidade dos edifícios é baixíssima, dado que estes apresentam, em geral, erros grosseiros e problemas crassos em quase todos os aspectos.

Entretanto, a má qualidade decorrente da ausência do arquiteto é tão generalizada que desde o cidadão comum até aquele que possui pós-doutorado (em qualquer área que não seja arquitetura, claro) não se dão conta disso. Muito pelo contrário, ambos endossam a opinião geral quando esta classifica, como "boa arquitetura" ou como um "ótimo prédio", um edifício de péssima qualidade arquitetônica, só porque ele é revestido de granito.

De modo geral, as cidades brasileiras são um aglomerado mal projetado de edificações de baixa qualidade arquitetônica. Infelizmente, em quase todas as construções, aspectos elementares e fundamentais como insolação, ventilação cruzada, inércia térmica, isolamento acústico, paisagismo e ambientação urbana são simplesmente desconsiderados.

O arquiteto, para infelicidade de todos nós, é um profissional ainda muito desvalorizado no Brasil. Apesar de imprescindível na construção das cidades, ele ainda é visto como um acessório supérfluo que tem como principal característica encarecer a obra.

Os não-arquitetos, em geral, não compreendem a arquitetura. Apesar de que pensem justamente o contrário, pois não há projeto no qual não apareça uma tia palpiteira. Quem não sabe nada de poesia brasileira, só conhece o Drummond. Do mesmo modo, quem não entende de arquitetura brasileira, só conhece o Niemeyer. E ainda diz que seus projetos não funcionam.

Na arquitetura brasileira, além de Niemeyer, destacam-se também Éolo Maia, Villanova Artigas, João Diniz, João Figueiras Lima (Lelé), Lina Bo Bardi, Sérgio Bernardes, Sidônio Porto, dentre outros. Temos ainda outro, cuja obra e ideologia não aprecio: Paulo Mendes da Rocha, que ganhou o Pritzker em 2006.

Resta lembrar as anomalias que vêm surgindo nas edificações das metrópoles brasileiras nos últimos anos:

- Espaço Gourmet (uma cozinha inutilizada que encarece os apartamentos)
- Espaço kids (um monte de brinquedos impróprios para as crianças que brincam com eles e próprios para as crianças que não tem permissão dos pais para usá-los).
-Espaço Mulher (um salão de beleza que as moradoras não usam, cheio de espelhos onde só as gordinhas passam pra se olhar depois de comer uma macarronada).
- Área de Lazer (metro quadrado não contabilizado na Taxa de Ocupação da Prefeitura, e que os empreendedores constróem para dar disgosto aos moradores dos primeiros pavimentos).
- Espaço Fitness (academia de ginástica onde as baratas fazem esteira e as aranhas enchem de teia o aparelho de abdominal).