Discussões Supérfluas: o Congresso sobre Mudanças Climáticas em Barcelona

09/11/2009


Um amigo jornalista que assistiu a essas palestras as descreveu desta forma ao final da reunião: "É como se você fosse para comprar uma casa com sua esposa e começasse a discussão pelo tipo de maçaneta, o estilo de toques nos banheiros e se as janelas teriam cortinas ou persianas, mas se esquivasse ao discutir sobre como gastar ou quanto estaria disposto a se endividar". Eu acho que é uma boa imagem sobre as questões que progrediram nesta reunião.

Não sou, obviamente, contra a sustentabilidade. Mas é bem evidente que esta é a palavra sagrada que os oradores em conferências sempre desejaram. Se o assunto é sobre degradação ambiental ou mudanças climáticas, basta acrescentar a temática sustentabilidade em todas os argumentos fundamentais. E não esquecer de concluir, certamente, com algo assim "e isso será alcançado com racionalidade através de práticas que visam um desenvolvimento sustentável". Palmas.

Além do mais, o romance dos ambientalistas com a administração do Sr. Obama durou pouco. Em junho, quando a nova delegação do último Nobel da Paz chegou a Bonn, houve aplausos e honrarias. Mas a máscara não perdurou. Prova disso são os vários prêmios "Fóssil do Dia", que os EUA ganharam essa semana, um prêmio que as ONGs entregam à pior perfomance nas negociações. Particularmente, causou muita rejeição o anúncio da delegação norteamericana ao relatar que o Congresso iria atrasar o trâmite da lei em matéria de alterações climáticas, uma parte fundamental de sua política internacional sobre o assunto.