Uma falácia sobrevive há 250 anos

28/10/2009


Desde que Adam Smith pronunciou, no século XVIII, que "o máximo de bem-estar social se gera quando cada indivíduo, de modo egoísta, persegue seu bem-estar individual, e nada mais que isso", este se tornou o fundamento mais elementar da sociedade capitalista e continua sendo a base de grande parte da teoria econômica atual.

Não apenas nos cursos de economia, mas também nos jornais, revistas e até mesmo pelos "especialistas" de turno, a máxima de Smith costuma fundamentar todos os argumentos, mesmo que dela não nos dermos conta.

Entretanto, na década de 1950, algo deveras importante passou desapercebido: o prêmio Nobel de economia John Nash comprovou matematicamente a falsidade do postulado de Adam Smith, o mais importante pilar do capitalismo. Ele demonstrou, como se pôde comprovar empírica e historicamente, que um comportamento puramente individualista acaba produzindo na sociedade uma espécie de "lei da selva", na qual todos acabam obtendo menos bem-estar do que poderiam.

As opiniões e decisões dos economistas, apesar de não atrair grandes atenções, acabam tocando direta ou indiretamente na vida de milhões de pessoaas, inclusive a minha e a sua. Mas, ao contrário do que você pode estar imaginando, uma descoberta como a de Nash, feita nada menos do que na Universidade de Princeton, não teve repercussão. Muitos dos desastres sociais e econômicos dos últimos 60 anos poderiam ter sido evitados. Como é fácil imaginar, as comprovações de John Nash seriam um entrave à opresão econômica, à globalização, à liberalização e ao comportamento predatório dos países industrializados sobre os demais.

O princípio fundamental de Adam Smith, assim como as falácias de Milton Friedman e Robert Lucas, continuam sendo uma espécie de Bíblia para qualquer estudo em economia e política, ainda que a história e o prêmio Nobel, John Nash, os tenham comprovadamente classificado como falsos. Dado que os interesses prevalecentes não consideraram prudente dar-lhe a publicidade devida.