Neo-Liberalismo de Raiz

20/10/2009


Há quem goste de samba de raiz, forró de raiz, e até aqueles mesmo que só gostam de qualquer coisa se for "de raiz". É um espírito modernista ao avesso, para quem o passado, ainda que na época ele próprio não valorizasse, é sempre melhor e mais saudoso. Além do mais, permite à vaidade expressar, no gosto pelo passado, um antagonismo à preferência dos demais. 

Enfim, para quem gosta, surge o Neo-liberalismo de Raiz. À moda antiga, com os mesmos argumentos de sempre, feito por quem sempre o defendeu nas crises de outrem, e o melhor: pelos ingleses. Para quem acha que tudo que vem da europa é xíq, neo-liberalismo inglês só perde para o francês.

Vamos ao que interessa. O Canal da Mancha vai ser privatizado. Depois de conduzir o país a uma Crise de Raiz, digo, uma típica crise do capitalismo, Gordon Mano Brown decidiu vender alguns bens públicos a particulares. Dentre eles, destacam-se o Eurotunnel, o sistema de apostas Tote, a ponte sobre o rio Tâmisa em Dartford - uma ligação estratégica entre a capital e o Sudeste -,  o fundo de empréstimos para estudantes e a participação pública na Urenco, empresa de enriquecimento de urânios com fins nucleares.

Até mesmo o jornal conservador The Guardian, cuja leitura não recomendo, e Vince Gable, uma espécie de Domingo Cavallo inglês, acusaram o Estado de praticar "vendas a preço de banana". Não confundam aqui com a privatização da Vale, que foi vendida a preço de cascas de banana.