"Créu" em Guantánamo

23/10/2009


Aproveitando o embalo do último post, o rock retorna à cena política: bandas como Pearl Jam e REM estão requerendo, ao governo dos EUA, informações sobre a utilização de suas músicas em torturas praticadas pelo exército do Sr. Obama, Nobel da Paz. Como se sabe, em 28 de setembro de 2006 o governo norteamericano legalizou a tortura. O que tem permitido, desde então, o uso de violência e crueldade indiscriminada à moda medieval.

Entre outras atrocidades, nos EUA é legal a detenção de uma pessoa por tempo indefinido e sem apresentação de acusações, o uso de provas obtidas mediante coerção e também práticas cruéis de interrogatório.

Para tanto, Guantânamo, área territorial cubana usurpada em 1903 pelo presidente Roosevelt, foi transformada em território livre para a prática de trainees em tortura e violação dos Direitos Humanos. Já em 1971, o Winter Soldier Investigation acusou as forças estadunidenses de cometer atrocidades contra os prisioneiros durante o conflito com o Vietnã.

"Em Guantánamo, o governo norte-americano transformou um toca-discos em um instrumento de tortura", disse Thomas Blanton, diretor executivo da ONG Retrieve. Com base nos documentos publicados e em entrevistas com detentos libertados, a entidade afirma que entre a música utilizada com fins de tortura estavam obras de AC/DC, Britney Spears, Bee Gees, Marilyn Manson e outros. Segundo a organização, uma das técnicas mais utilizadas era executar músicas repetidamente em um volume alto o suficiente para provocar danos nos tímpanos por vários meses, uma prática que não se figura como proibida no manual do Exército americano.

Esse pedaço roubado de Cuba foi, outrora, magnificamente retratado na música "Guantanamera" com versos sencillos de José Marti. É certo que eu ouço Joseíto Fernandez e AC/DC com gosto, mas Britney Spears e Marilyn Manson é mais que crueldade. Imaginem se fosse o "Créu", ou "Eguinha Pocotó"? Seguramente, no manual do Pentágono está escrito: "Art 1º The Army is free to practice extreme torture, but Little Horse Pocotó is forbidden".

Além do mais, o National Geographic Channel divulgou um documentário intitulado Inside Guantanamo. Um ex-guarda detalha crimes cometidos na prisão, incluindo o transporte dos detentos em jaulas, abuso sexual cometido por médicos, variados tipos de torturas, espancamentos brutais que deixavam o chão encharcado de sangue, desrespeito às práticas religiosas (fazer o detento comer carne de porco ou assistir profanações do Alcorão) e detenção de crianças.