Brasil, Banco Mundial e FMI

25/10/2009


O Brasil, ao se tornar um credor do FMI e aumentar o seu voto no Banco Mundial, associou-se ao conjunto de nações opressoras que estragulam as nações oprimidas. Como se sabe, o FMI e o Banco Mundial organizam, controlam e observam a política econômica mundial, imposta pelos países centrais. Eles são a parte informal do governo norteamericano, sentinelas do Consenso de Washington, introduzida para acabar com a URSS.

A atual crise econômica mundial, com suas intempestivas quebras bancárias, aumentou o receio de um colapso financeiro. Nesse cenário, abriram-se as portas para os emergentes, a fim de manterem-se intactas as estruturas políticas.

A verdade, porém, é que o país tem reforçado a sua influência na América Latina, enquanto os EUA e a União Européia escolheram compartilhar o poder com o Brasil, como fizeram com a China na OMC. É melhor distribuir o excedente da periferia, em troca da extensão dos domínios econômicos.

Antes de se dar a introdução do Brasil, entretanto, o presidente Rafael Correa (que possui doutorado em economia, na Bélgica) acusou que o FMI de causar convulsão social na Nicarágua, já que um pedido de crédito de US$90 milhões foi condicionado à eliminação completa dos subsídios, congelamento dos salários e das pensões dos aposentados. Como sempre, o FMI e o BM exigem o controle da inflação, ajuste fiscal, recessão econômica, liberalização comercial e financeira, a privatização de serviços básicos e recursos naturais, garantia ilimitada para os investimentos estrangeiros e o enfraquecimento dos Estados nacionais.

A decisão de Lula coincide com a declaração de nove governos da ALBA, que avançam a uma integração e à criação de uma moeda comum. Paradoxalmente, a Bolívia pediu, ao Banco Mundial, dez bilhões de dólares para sua industrialização. A mesma quantidade que o Brasil vai transferir para o FMI.