Todo o gasto militar da América Latina equivale ao dos EUA em 72 horas de guerra

15/09/2009


As compras militares nos países da América Latina não são uma corrida às armas. Elas se limitam a um amplo processo de reequipamento, mas impressionam porque estão ocorrendo simultaneamente em vários países, movimentando contratos que tratam de bilhões - em qualquer moeda.

Por Roberto Godoy

São quase sempre compromissos de grande duração, como os acordos brasileiros para aquisição de submarinos, helicópteros pesados e caças de tecnologia avançada, destinados a estabelecer relacionamentos com fornecedores até o horizonte de 2040. São longos por envolver complexos programas de transferência de tecnologia e compensações comerciais.

No caso do Brasil, as aquisições precisam cobrir acima de 30 anos de defasagem. Antes dos negócios fechados no dia 7, com a França, a Marinha só havia feito transações semelhantes nos anos 70. A última vez que a Aeronáutica incorporou caças de perfil semelhante aos que estão sendo analisados no programa F-X2 foi em 1972, na chegada dos MirageIII, na época, o estado da arte.

Chile, Colômbia, Peru, Equador e, em escala menor, Argentina, além de El Salvador e República Dominicana, também cuidam de modernizar seus arsenais regulares. Estão gastando nisso, em conjunto, cerca de US$ 51 bilhões.

É menos de 3% dos gastos mundiais no setor. E significa 72 horas das despesas das guerras americanas.

Fonte: O Estado de S. Paulo