Kassab corta refeição em creches

17/09/2009


Depois de cortar 20% da verba destinada à varrição pública, a gestão Gilberto Kassab (DEM) coloca em prática uma nova redução de gastos, desta vez na alimentação das crianças matriculadas em creches administradas pelo município. Secretário de Educação alega que motivo não é economizar. Me pergunto qual será o motivo: sadismo, piada, vingança, pedofobia ou horror a pobre?

Com a mudança, de acordo com o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, o gasto médio mensal da prefeitura com alimentação nas creches será 20% menor, caindo de R$ 2,85 milhões para R$ 2,28 milhões. "O gasto mensal com merenda é de R$ 36 milhões, incluindo todas as escolas. A mudança no cardápio das creches vai representar menos de R$ 600 mil de economia."

Na contramão do Brasil

O presidente União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Ismael Cardoso, critica a medida: “São Paulo vai na contramão do Brasil. Enquanto o país aumenta os recursos para investimento em Educação, o município de São Paulo promove cortes. Enquanto a marcha em outras cidades é para diminuir o número de creches em situação de parcerias público-privadas, tornando-as cada vez mais públicas, a prefeitura de São Paulo prioriza milionárias verbas publicitárias e corta gastos na educação. É estranho cortar alimentação das crianças. O prefeito deve uma explicação”.

Sem café ou sem janta?

Schneider disse que algumas unidades ficarão sem o café da manhã, e outras, sem o jantar. Neste contexto, o caso mais dramático é o corte do jantar, afinal, segundo a nutricionista Pérola Ribeiro, crianças de famílias mais carentes teriam problemas, pois fariam lanche à tarde e só comeriam novamente no dia seguinte, na creche.

O corte de uma refeição pegou de surpresa os pais. No Centro de Educação Infantil Parque Novo Mundo, na Vila Maria (zona norte de SP), eles receberam um formulário com duas opções: escolher se o filho ficará sem café da manhã ou sem jantar. O papel não podia ser levado para casa e tinha de ser respondido no local. 

Kassab e Serra – uma relação profícua

Os comentários de leitores que acompanharam a notícia pela Folha Online também demonstram revolta com a medida e atribuem a decisão a uma política do DEM e do PSDB. Após falar sobre a relação do prefeito Gilberto Kassab com o governador José Serra, o leitor Alessandro Correia tascou: “Acho que ele [Serra] pretende terceirizar a União também, terminando de passar o Banco do Brasil, Petrobrás entre outros. Deveríamos ter esses políticos terceirizados, assim se não cumprissem com seu dever ou fossem pegos em algum escândalo poderíamos manda-los embora e contratar outro. Pensem nisso no plenário.”