Especial 11 de Setembro

11/09/2009


Em 2001, como se sabe, um atentado provou a capacidade da mídia e do governo americano em criar consensos sob diversas falácias desavergonhadas, dada a ausência de comprovações de suas provas já tão amplamente refutadas. Para quem não entendeu o que eu disse ou ainda não descobriu o quanto esse assunto é interessante, recomendo o excelente documentário LOOSE CHANGE (clique aqui para assisti-lo diretamente).

Após a demolição das torres, do edifício que misteriosamente também caiu e do míssil que atingiu o pentágono, o governo estadunidense pôde, enfim, colocar em andamento sua agenda política para o século XXI: invadir o Afeganistão e Iraque (Paquistão, Iran e Venezuela, nos próximos capítulos), implementar choques econômicos (como brilhantemente elucidou Naomi Klein) e, o mais importante, criar um conceito genérico que lhes permite intervenções militares em qualquer continente: o de terrorista. Inspirados em George Kennan, o novo "American-Century" foi enfim implementado por Rumsfeld, Cheney e os Bilderberg.

Se o dia de hoje pode ser considerado uma data funesta para o mundo, e principalmente para a América Latina, isso se deve ao assassinato de Salvador Allende pelas forças armadas chilenas apoiadas pelo governo americano. Há alguns anos, o embaixador americano no Chile da década de 70 confirmou que o presidente Nixon planejava matar Allende, o que efetivamente foi feito de modo trágico. O palácio presidencial foi bombardeado por aviões e tanques. Quando o visitei em Santiago, senti que ainda existe uma certa tensão no lugar.

Uma das mais sangrentas ditaduras militares latino-americanas foi então instalada por Pinochet, que perdurou até 1990. Enquanto aqui no Brasil as torturas e assassinados ocorriam nos porões dos quartéis, o exército do Sr. Pinochet executada abertamente os cidadãos nos estádios de futebol e os corpos eram jogados nos rios.

Do ponto de vista político-econômico, o governo pinochetista adotou as reformas que, no Brasil, somente seriam implementadas no período da abertura democrática: governos Collor e FHC. Os "Chicago Boys", os economistas da Escola de Chicago, de tendência ideológica monetarista e neo-liberal, implementaram um desastre social via liberação comercial, privatização e fim dos programas sociais. Entre 1972 e 1987, o PNB per capita do Chile caiu 6,4% em dólares constantes, caindo de US$ 3.600 em 1973 para 3.170 em 1993. No final da brutal e desastrosa ditadura, em 1990, 38,6% da população chilena se encontrava abaixo da linha de pobreza. Uma das piores façanhas foi a privatização da previdência social (desejo eterno do PSDB-DEMOs), e até hoje 39% da população - quase a metade dos chilenos - não dispõe de nenhum tipo de seguridade social.

Em dezembro de 2006, quando eu ainda morava na Argentina, Pinochet sofreu um ataque cardíaco e faleceu. Pude compartilhar a enorme alegria dos chilenos e argentinos com quem convivia, apesar de que os telejornais apresentaram alguns imbecis em prantos. Enfim, o dia 03/12 é mesmo um dia para se comemorar.

Além do mais, há poucos dias fomos oficialmente informados do que todos já sabíamos: O presidente dos Nixon e o general de turno na ditadura brasileira, Emílio Médici, conspiraram juntos na Casa Branca em dezembro de 1971 pela derrubada de Allende. O relato do encontro está num arquivo secreto da Casa Branca agora desclassificado.