"Precisar de jornais, não precisamos. Se é para ver fantasias, prefiro ir ao cinema".

24/08/2009



É dado como certo que os jornais impressos vão morrer. Mais do que isso: é dado como certo que a morte dos jornais tem até dia marcado para acontecer. Há apenas algumas dúvidas sobre a exatidão das datas.

Um certo clima de euforia inconseqüente toma conta de setores da blogosfera que imaginam que está em andamento o processo de tomada do poder pelos "democratizadores" da informação em razão da constante perda de audiência por parte dos grandes jornais.

Não está dito que a imprensa seja uma instituição imaculada, acima do bem e do mal, e que mereça estar isenta da vigilância da sociedade para a qual deve prestar serviço. Mas o fato é que o media watching, a quem cabe vigiar suas destemperanças, desvios e erros, acaba sendo vítima do mesmo processo de maniqueísmo político do qual ela é acusada.

A verdade é que as empresas de comunicação, mesmo as que nasceram no século em que eram instrumentos de ação política ou expressão do idealismo de seus fundadores, hoje são – para o bem ou para o mal, dependendo do ângulo que se olhe – negócios geridos de forma cada vez mais impessoal, submetidos a regras de governança rigorosas, e cuja finalidade última é gerar lucros. O certo é que maus e bons jornais sofram o julgamento de seus consumidores, que podem premiá-los com prestígio, respeito e lucros crescentes, ou castigá-los com a irrelevância ou a morte, dependendo da competência e da honestidade com que conduzam seu negócio.

"Precisar de jornais, não precisamos. Se é para ver fantasias, prefiro ir ao cinema e ao teatro" (...) "a geração dos donos do poder está morrendo. A internet, com todos os seus defeitos e virtudes, está crescendo". Outro, um advogado, escreveu: "O problema da internet não é que impossibilita o jornalismo. O problema é que permite um contraponto que acaba com o pouco (e ilusório) verniz de credibilidade que a carcaça podre da grande mídia (FSP, Globo, Veja, Estadão) ainda insiste em exibir".